O Prefeito de São Paulo, João Dória Jr., anunciou nesta segunda-feira (7/8/17) que pretende fechar o Aeroporto do Campo de Marte, na Zona norte... Dória diz que vai acabar com o Campo de Marte

O Prefeito de São Paulo, João Dória Jr., anunciou nesta segunda-feira (7/8/17) que pretende fechar o Aeroporto do Campo de Marte, na Zona norte de São Paulo, para operação de aeronaves de asa fixa. O anúncio aconteceu durante uma cerimônia da qual participaram o Prefeito e o Presidente Michel Temer na sede da Prefeitura para formalizar um acordo pelo qual a União transferiu à municipalidade uma área de pouco mais de 400 mil m² do terreno em que se situa o aeródromo.

De acordo com o prefeito, a desativação será feita ao final da terceira etapa de acordos firmados entre a União e o Município de São Paulo e ainda não tem data para acontecer.

A área em que o aeroporto se situa é objeto de um litígio judicial entre a União e a Prefeitura desde 1945. Seis anos atrás, o STJ decidiu que o Município de São Paulo é o legítimo proprietário do terreno, cuja área total ultrapassa 2 milhões de metros quadrados.

O terreno, incrustado bem no centro da cidade, tem sido cobiçado por empreiteiras e incorporadoras, que há anos movem um lobby poderoso para transformá-lo em um gigantesco condomínio vertical. Até agora, no entanto, graças à resistência do Ministério da Defesa e da Infraero, essas pressões ainda não haviam surtido efeito prático, situação que pode mudar a partir da primeira transferência autorizada pelo Presidente Michel Temer.

De acordo com a Infraero, o Campo de Marte é hoje o sétimo aeroporto brasileiro em número de pousos e decolagens, perdendo apenas para Congonhas, Santos Dumont, Porto Alegre,  Recife e Curitiba (é preciso lembrar que não  entram nesse ranking os aeroportos que tiveram sua administração privatizada e  não estão mais sob o guarda-chuva da estatal).

Somente no primeiro semestre ano foram realizados lá 33.081 pousos e decolagens (4,4% do total em aeródromos administrados pela INFRAERO), movimento superior ao registrado em Fortaleza, Cuiabá, Goiânia e todas as demais capitais brasileiras. Isso representa cerca de 200 operações por dia. Além disso, SBMT é a único aeródromo da região metropolitana com operações exclusivamente dentro da norma VFR (voo visual).

Os 37 hangares do Campos de Marte abrigam uma infinidade de empresas que fazem a comercialização de aeronaves, táxi aéreo, manutenção de aviões etc. Elas geram  milhares de empregos. Mas o maior prejuízo certamente será para a instrução de voo e a formação de pilotos para a aviação comercial.

O Campo de Marte foi a primeira escola de aviação do País. Ele existe desde 1931 e já formou mais de 10 mil pilotos, que hoje trabalham no Brasil e também em países como China, Qatar e Estados Unidos.

Para tanto, além das instalações físicas da escola, onde são ministrados os cursos teóricos, o Aeroclube tem uma frota de 25 aeronaves. Elas perfazem mais de 1000 horas/mês em atividades de instrução, formando a base econômica sobre a qual se assenta o programa de formação de pilotos e comissários. Todos os anos, cerca de 2 mil pessoas passam pelas salas de aula da instituição.

Fadi Younes, o mais longevo de todos os presidentes do Aeroclube, vaticina que todas as atividades da  escola estão ameaçadas pelo projeto da Prefeitura. “Não é  só a falta de áreas para a construção de um novo aeroporto dentro da região metropolitana”, diz ele, que atualmente ocupa a Diretoria de Operações do ACESP. “A burocracia e os custos também vão ajudar a sepultar a escola se as operações de asa fixa forem encerradas”, diz Fadi.

Especulação imobiliária

A guerra pelo fechamento de Campo de Marte já teve várias batalhas. A última foi travada na gestão do Prefeito Fernando Haddad. Assim como Dória, ele também queria transformar o aeroporto num parque municipal para promover a verticalização do entorno, beneficiando as empreiteiras interessadas.

“O problema não está na destinação da área do aeródromo,”, diz Fadi Younes. “As incorporadoras estão pressionando há muito tempo para que seja permitida a construção de prédios altos dentro do cone de aproximação”. Isso explica as investidas reiteradas que, ao que tudo indica, terão êxito na gestão de João Dória Jr.

A cidade tem todo o direito de reivindicar a melhor forma de uso para a área do Campo de Marte. Antes de qualquer medida concreta, no entanto, será muito proveitoso para todos se a população e os técnicos tiverem a oportunidade de discutir de que forma isso vai se dar.

Para Fadi Younes, é mais do que compreensível que se queira aproveitar melhor os espaços aos quais a comunidade hoje não tem acesso. Mas, segundo ele, “é perfeitamente possível conciliar a operação de asa fixa com os anseios da Prefeitura, das imobiliárias e da população”. Para isso, basta realizar um conjunto de ações prévias e chamar audiências públicas para que todos possam discutir como implementar um projeto que seja bom para todos.

 

 

 

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