Eram pouco mais de 17hs. quando o piloto da aeronave prefixo PU-MON ingressou na cabeceira 29 do Aeroporto Brigadeiro Araripe Macedo, coordenou a fonia... Acidente em luziânia: uma família marcada por tragédias aéreas

Eram pouco mais de 17hs. quando o piloto da aeronave prefixo PU-MON ingressou na cabeceira 29 do Aeroporto Brigadeiro Araripe Macedo, coordenou a fonia na frequência livre, fez o check de motor e acelerou a manete de seu INPAER Excel. O voo, no entanto, seria curto demais. Alguns segundos mais tarde, o avião se espatifaria na cabeceira oposta da pista de asfalto de 1200 metros de extensão por 20 de largura.

No comando do voo fatídico estava o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina. O caminho que colocou o acidente de Luziânia na rota de sua vida foi longo e tortuoso. Em 2012, no apogeu do primeiro mandato da então presidente Dilma Rousseff, Molina protagonizou um incidente diplomático que escancarou o servilismo ideológico que pautava as relações do Brasil com seus vizinhos do chamado Eixo Bolivariano.

Ele havia sido eleito por um partido de extrema direita em seu país. Alegando perseguição ideológica por parte do governo de Evo Morales, respondendo a mais de 20 processos por suspeita de corrupção e outros crimes, procurou a Embaixada do Brasil em La Paz, onde se refugiou por mais de um ano.

No dia 24 de agosto de 2012, ao cabo de uma viagem emocionante e perigosa, Roger Molina ingressou em território brasileiro conduzido pelo diplomata Eduardo Saboya e escoltado por dois fuzileiros navais. O trecho inicial, que durou 22 horas, foi percorrido de carro, num trajeto cansativo e perigoso entre a capital boliviana e a cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Em solo brasileiro, o senador autoexilado foi conduzido até Brasília num avião pertencente à família do Senador Ricardo Ferraço, do PSDB do Espírito Santo.

Chapecoense

No dia 28 de novembro de 2016, um desastre aéreo que chocou o mundo abalou de maneira especial a família de Roger Molina. Sem combustível para concluir uma longa viagem entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Medelin, na colômbia, um avião da até então desconhecida Lamia caiu em pane seca a menos de 30 quilômetros de seu destino. 

No comando da aeronave estava o piloto Miguel Quiroga, que também era o dono da companhia. Miguel era casado com Daniela Quiroga que, por sua vez,  é filha do político exilado no Brasil. Quando os motivos do acidente ficaram claros e a culpa do piloto, evidente, esse vinculo indireto com a tragédia fez com que o ex-senado boliviano se dirigisse à população de seu país e pedisse desculpas públicas pelas mortes e pela comoção gerada pela conduta irresponsável do genro.

O que ninguém podia imaginar é que o destino levaria a família a se defrontar novamente com um acidente aéreo menos de nove meses depois da tragédia que abateu o time da Chapecoense

A queda em Goiás

No Aeroclube de Luziânia, pouca gente ligava o homem de forte acento latino ao senador cuja entrada no Brasil rendera tanta polêmica cinco anos atrás. Ele era um piloto querido, conhecido como uma pessoa de boa índole e gênio bastante afável. 

No dia do acidente, decolou com seu Excel já bem perto do pôr-do-sol para um voo local rápido. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu, mas todas as suposições iniciais passam por uma parada de motor e uma tentativa desesperada de retornar à cabeceira 11 do Aeroporto de Luziânia.

O piloto Gustavo Ramos Bezerra, que estava num hangar próximo à pista, conta que ouviu a decolagem. Mas não ouviu nenhum barulho que indicasse a ocorrência de um acidente. Ele só ficou sabendo da queda por causa de um alarido que vinha da área de manobra do aeródromo.

Ao checar à cena do acidente, Gustavo pode ver o avião destroçado. Logo chegaram os socorristas e também um helicóptero. O resgate do senador, no entanto, não foi rápido — e mais demorado ainda foi o trabalho dos médicos no local para estabilizar seu estado clínico.

Enquanto isso, pilotos e peritos passaram a fazer as primeiras especulações sobre as causas do acidente. Na zona de interseção das hipóteses iniciais, há sempre uma parada de motor como precursora de todo o universo de eventos que culminou com o choque contra o solo.

É certo que Molina decolou e fez uma curva à direta, livrando a o eixo da pista. Mas  logo teria feito uma outra curva à esquerda, ao final da qual o avião colidiu com o solo do aeródromo, um pouco à esquerda da pista. “Ele parecia estar girando da base para uma final curtíssima para pousar na cabeceira 11, “, conta Gustavo Bezerra. 

Outro piloto que esteve na cena do acidente cogita um stall de asa e a entrada em parafuso como determinantes para a queda. “Ele caiu num ângulo bastante picado (com o nariz do avião para baixo),  o que é indicativo da falta de sustentação decorrente da perda do motor”, assegura o piloto.

Até o fechamento deste post, o piloto seguia em estado gravíssimo na Ala Vermelha do Hospital de Base de Brasília. Os médicos sequer conseguiram transferí-lo para uma UTI por causa da precariedade de seu estado de saúde. Molina sofreu politraumatismo, teve afundamento do crânio e sua face foi destruída pelo impacto com o painel. Ele sofreu ao menos uma parada cardio-respiratória.

O que determinou o acidente só será conhecido quando o laudo da perícia que está sendo feita pela FAB ficar pronto. Até lá, muitas especulações vão surgir. Mas o que mais intriga nesse caso é a frequência com que a família Molina é exposta a eventos  fatídicos e trágicos com aviões.

Diz o provérbio que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. No caso de Roger Molina, no entanto, pode-se afirmar que isso não exprime toda a verdade.

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