O advogado do ex-senador boliviano Roger Molina, Fernando Tibúrcio,  está difundindo, em sites jornalísticos na internet, a suspeita de que o acidente em que se... Teoria da conspiração: advogado diz que avião de Molina foi sabotado

O advogado do ex-senador boliviano Roger Molina, Fernando Tibúrcio,  está difundindo, em sites jornalísticos na internet, a suspeita de que o acidente em que se envolveu seu cliente, piloto e proprietário do Conquest Excel Cargo PU-MON, teria sido provocado por sabotagem de agentes a serviço do governo da Bolívia. A aeronave caiu no último sábado logo após a decolagem da cabeceira 11 do Aeroporto de Luziânia. 

A suspeita é enfaticamente desmentida por testemunhas do acidente, que dizem que a hipótese é absurda e não se encaixa no contexto em que se deu a queda. 

O LSA de Molina ficava hangarado no Aeroporto de Botelhos, que fica a pouco mais de 30 km de distância do aeródromo em que se acidentou. Foi de onde o ex-senador boliviano partiu naquela tarde. O pouso em Luziânia foi absolutamente circunstancial, como fazem dezenas de pilotos de fim-de-semana da capital federal.

Molina não era sequer conhecido dos frequentadores habituais do Aeroporto de Luziânia. “Ele não tinha nenhuma familiaridade com as instalações. Tanto que pediu informações sobre onde ficava o banheiro”, conta Arnaldo de Oliveira Borges Junior, presidente do Aeroclube de Brasília.

Arnaldo Jr., que o viu pela primeira vez naquela tarde, assegura que ninguém associou Molina ao político boliviano que fugiu de seu país porque vinha sendo perseguido pelo governo Evo Moralez. “Todos os que estiveram com ele notaram que tinha um sotaque estrangeiro, mas ninguém sabia de quem se tratava”, assegura.

Ele também confirma que não havia ninguém estranho à rotina do Aeroclube e às instalações que funcionam naquele aeródromo. “Era simplesmente impossível que alguém tivesse sabotado o avião enquanto ele esteve por dez ou 20 minutos no pátio de Luziânia”, diz o presidente do Aeroclube de Brasília.

Dois pilotos ouvidos pelo Papatango.net dizem que o acidente se deveu a dois fatores. Primeiro, não há dúvida de que houve uma falha de motor. O avião foi visto em voo planado a baixa altura na área próxima aos hangares segundos antes colidir com o solo.

Em seguida, o piloto pode ter tomado uma decisão incorreta ao tentar voltar para a cabeceira de onde havia decolado. “Ele tinha quase mil metros de pista em frente. Poderia ter tentado tranquilamente um pouso reto em segurança”, avalia Arnaldo Jr.

A queda se deu a cerca de 50 metros da cabeceira da pista. De acordo com o presidente do Aeroclube, o pouso teria sido bem-sucedido caso o trem do nariz tivesse escapado de cair numa vala feita para para o escoamento de água pluvial. A vala acabou fazendo com que o avião pilonasse (capotasse para a frente). 

Arnaldo Jr. também confirma que o piloto declarou emergência quando percebeu a falha do motor. “Um dos nossos instrutores, que estava no circuito de tráfego da cabeceira oposta, ouviu na fonia  quando ele pediu socorro dizendo ‘mayday‘ na frequência de coordenação”.

Espiões bolivianos

A suspeita disseminada pelo advogado decorre, segundo ele, de “evidências” de que o presidente boliviano persegue adversários políticos até no exterior. A conspirata seria produto de um suposto serviço secreto que teria promovido o assassinato de três opositores num hotel em Santa Cruz de la Sierra. Os adversários do regime de Morales teriam sido eliminados porque supostamente gestavam um plano para matar o presidente boliviano.

Em entrevista a um emissora de rádio paulista, Fernando Tibúrcio assegurou que a Polícia Civil de Brasília estaria levando em consideração a hipótese de sabotagem nas investigações sobre as causas do acidente. Ocorre que as investigações não competem à polícia do DF, e sim ao CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes da FAB).

Ele também disse que Molina estava tentando ganhar a vida como piloto e para isso estaria utilizando a aeronave acidentada. A informação não é consoante com a licença de piloto privado obtida pelo político asilado no Brasil. A aeronave, um modelo experimental, também não pode ser utilizada para transporte de passageiros e carga e não está homologada para qualquer qualquer tipo de serviço que envolva remuneração.

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