Contrariando a posição da Secretaria Nacional de Aviação Civil, a área econômica do governo federal anunciou o início do processo de privatização do maior... Governo decide vender Congonhas para reduzir déficit

Contrariando a posição da Secretaria Nacional de Aviação Civil, a área econômica do governo federal anunciou o início do processo de privatização do maior aeroporto do País — Congonhas, no coração da cidade de São Paulo. O objetivo é arrecadar R$ 4 bilhões e utilizar o dinheiro para reduzir o déficit fiscal, estimado em R$ 159 bilhões.

Os números compilados pela INFRAERO não deixam dúvida. Congonhas é uma mina de ouro. No ano passado, 213 mil aeronaves pousaram ou decolaram em suas pistas. Isso representa 13,45% do total de pousos e decolagens ocorridos nos 60 aeroportos sob administração da estatal, o que faz de Congonhas o campeão nacional isolado. O segundo colocado no ranking, o Santo Dumont, no Rio de Janeiro, registrou apenas metade disso, 105 mil pousos e decolagens. E o terceiro, o Salgado Filho, de Porto Alegre, registrou a terça parte, cerca de 75 mil.

O número de passageiros chegando ou saindo foi 20,8 milhões, dado que denota a eficiência das operações no principal aeroporto do País. Ele representa 20% do total de pessoas transportadas a partir de aeroportos da INFRAERO. Em segundo lugar aparece uma vez mais o Santos Dumont, com 9 milhões de passageiros embarcados ou desembarcados —  apenas 43% do movimento do aeroporto paulistano.

Congonhas só perde para outro aeródromo em um quesito: volume de carga transportada. E ainda assim, sua posição é bastante respeitável. Ele aparece em segundo lugar, com 10,5% do total transportado na malha da estatal. Está atrás apenas do Aeroporto de Manaus, cujo movimento de cargas representa aproximadamente um quarto de tudo o que é transportado nos porões de aviões no Brasil.

Outra característica que torna Congonhas um nicho especialíssimo de negócios é sua resiliência. Em plena crise econômica, quando toda a malha sofria reduções drásticas em praticamente todas as modalidades de transporte, Congonhas resistia heroicamente. Seu fluxo de passageiros em 2016 cresceu 8% em relação ao ano anterior. Alguns aeroportos tiveram queda expressivas. O Santos Dumont, por exemplo,companheiro de ranking do congênere paulistano, amargou uma redução de 6%.

Saturação

Congonhas na década de 40

Congonhas foi inaugurado na década de 1930 num área descampada que, aos poucos, foi sendo  tomada pela cidade de São Paulo. Sitiado por casas, prédio e ruas, acabou ficando sem alternativa de expansão. 

O abraço da cidade, no entanto, custou caro para a segurança das operações e também para o entorno. Há exatos dez anos, o fatídico voo 3054 da TAM varou a pista e explodiu sobre um prédio onde funcionava uma loja da própria companhia e um posto de gasolina. O acidente trágico matou os 187 passageiros e tripulantes e deixou 12 mortos no solo.

Para aumentar a segurança, o espaço entre voos foi ampliado e algumas linhas foram redistribuídas para outros aeroportos da Terminal São Paulo. O governo chegou a anunciar a construção de um quarto aeroporto metropolitano, promessa que jamais foi cumprida.

Aos poucos, Congonhas voltou a funcionar como hub e o intervalo entre os spots foi sendo paulatinamente reduzido. Hoje, são mais de 500 voos diários — e as dúvidas sobre a segurança persistem.

O governo ainda não anunciou de que forma pretende privatizar o Aeroporto de Congonhas, mas já antecipou que está com pressa. O edital e as regras da concessão terão que ser produzidos a toque de caixa.

O mercado já antevê uma disputa feroz entre concorrentes eventuais. Afinal, Congonhas representa uma oportunidade única de ganhar dinheiro. É a joia da coroa da INFRAERO que, sem ele, pode estar caminhando a passos acelerados para a própria extinção.

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