As péssimas condições sanitárias brasileiras e a exuberância da fauna dos trópicos produzem um fenômeno que apavora os pilotos  desde as primeiras aulinhas práticas... Natureza em fúria: o risco aviário no ar e em terra firme

As péssimas condições sanitárias brasileiras e a exuberância da fauna dos trópicos produzem um fenômeno que apavora os pilotos  desde as primeiras aulinhas práticas no aeroclube: o risco aviário.

Todos os anos, quase dois mil choques com aves são notificados no País. No último levantamento tabulado pelo CENIPA, do ano de 2015, foram registradas 1.733 colisões de aviões com aves em todo o Brasil e 91 com outros animais. Além disso, foram reportados 3.717 avistamentos e quase colisões.

A maior parte dos choques acontece durante o dia. O alvorecer e o entardecer são os períodos mais seguros para se voar, de acordo com as estatísticas da FAB. Mas a noite, ao contrário do que pensa a maior parte dos pilotos, definitivamente não é um período livre de risco. Ao menos um em cada 3 choques com aves acontece no horário noturno.

Em relação à fase do voo, os pousos (23%) são bem mais perigosos do que as decolagens (15%). Mas nenhuma das fases é mais arriscada para a navegação a baixa altura do que o voo de cruzeiro. Aí ocorrem 57% das colisões com pássaros. Portanto, não descuide da vigilância e mantenha o olho para o lado de fora da janela.

Na aviação comercial, no entanto, as colisões ocorrem em maior número nas fases inicial e final de cada voo. 28% dos choques acontecem durante o táxi e a decolagem. E 36,5%, nos pousos.

Em relação ao local afetado pelo impacto, as aves parecem ter uma predileção especial pela fuselagem (15,4%), pelas asas (8,9%) e pelo para-brisa da aeronave (7,1%).

Quanto à espécie mais ameaçadora, as estatísticas contrariam a feeling dos pilotos. A ave mais perigosa, ao contrário da crença geral, não é o urubu (5,97%), e sim o quero-quero (29,04%). Grosso modo, pode-se afirmar que para cada colisão com um urubu, ocorrem 5 com quero-queros.

Quem pousa no Aeroporto Salgado Filho (SBPA), em Porto Alegre, está mais exposto ao risco aviário. Lá foram registradas 145 colisões ao longo de 2015. Em segundo lugar está o Aeroporto de Guarulhos (SBGR), na Grande São Paulo, onde houve 91 ocorrências dessa natureza. Curiosamente, o maior número de avistamentos se deu em Campinas — foram 253 no mesmo período.

Se Maomé não vai à montanha…

… A montanha vai a Maomé.

Veja só o que aconteceu em Salvador. A foto ao lado registra o momento em que um urubu colidia com a janela do apartamento de um piloto identificado como Matheus. A história foi contada pelo jornal Correio da Bahia .

A ave, provavelmente um urubu fêmea à procura de um local para construir um ninho, invadiu o apartamento e atacou o piloto a bicadas.

Melhor assim do que um encontro a 5 ou 6 mil pés de altura do solo, a 250 km por hora.

Para saber mais sobre as estatísticas do CENIPA sobre o risco aviário, clique aqui.

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